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ARTIGO: O que é felicidade?

24.05.2019

“Felicidade é um continuo progredir de desejos de um objeto a outro” é a opinião de Thomas Hobbes (p. 84, Leviatã, 2012). Partindo disso, entendo que ser feliz é encontrar-se num estado onde as portas dos desejos estão abertas para que o sujeito aja da forma que quiser, sendo que, as consequências dessas ações serão sempre julgadas por este sujeito como sendo vantajosas e nunca prejudiciais. Ou seja, ser feliz para Hobbes é uma sequência de atos positivos.

 

Por outro lado, vale lembrar que muitos possuem uma visão deturbada do que é bom, aplicando um julgo falso sobre as coisas, como por exemplo, um usuário de drogas que se convenceu que seu vício é positivo e contribui para sua felicidade, fazendo então um uso abusivo de drogas. Tal ato causa-lhe uma sensação de prazer o qual lhes cria uma ilusão de felicidade. Porém, como é sabido, depois de um tempo, todo vício acaba por cobrar o sujeito, seja de forma psicológica ou física, sendo assim, não podemos considerar que qualquer juízo que um individuo tenha a respeito do que lhe faz feliz seja de fato o que é felicidade. Isso se aplica não apenas no caso de vício de drogas, mas também em outros atos menos perceptíveis, como o ato de comprar coisas que não precisa, jogar compulsivamente, dirigir em alta velocidade, comer demais ou comer de menos, etc.

 

O que considero como sendo certo na felicidade, é que ela é um espasmo, ou seja, um momento breve e passageiro, afinal, se formos analisar friamente, na maior parte do tempo estamos sofrendo e sabemos apontar exatamente o que nos dói e o que nos incomoda, mas sentimos muita dificuldade em dizer os motivos pelo qual somos felizes.

 

Além disso, considero que a vida sem uma dose de loucura está fadada a monotonia. Quem nunca se permite “sair da casinha” está perdendo tempo!

 

Segundo o filosofo humanista holandês, Erasmo de Rotterdam (1466 – 1536) “ninguém sem a orientação da loucura pode alcançar a sabedoria da felicidade” (p. 42, Elogio da Loucura, 2012).

 

Ora, não há loucura no prazer de abraçar e apertar os filhos? No de amar loucamente a pessoa amada? No proclamar aos quatro ventos que foi promovido? No conquistar algo que sempre quis depois de muito se esforçar? Agora pensemos, além de haver loucura em todas essas coisas, elas também não são um pouco do que é felicidade?

 

O que temos de nos atentar é em medir a nossa loucura, pois se assim não fizermos, não estaremos alcançando a sabedoria da felicidade. Portanto, que ela [a loucura] seja determinada pela prudência e pela disciplina e não pelos exageros, pois assim como alguém que não há possui não pode ser verdadeiramente feliz, alguém que a possui em excesso também não pode.

 

Em outras palavras: aquele que é certinho demais está preso em casa e nunca se permite sair. Sua casa é organizada e limpa, ele não aceita quebrar sua rotina e acostumou-se com sua disciplina. Ele tem dinheiro, tem tudo, mas não é feliz. Em oposição a ele, o cara loucão demais, é muito desregrado, muito sociável, nunca para em casa, não tem nenhuma disciplina e odeia a rotina. Ele também aparenta ter vários motivos para ser feliz, mas não é.

 

Por último, temos o que chamo de “o louco moderado”, e que entre os três é aparenta estar mais hapto a felicidade. Este é um homem que sai de vez em quando, arruma a casa de vez em quando, come demais de vez em quando, bebe demais de vez em quando... ele tem poucos amigos, mas eles são verdadeiros. Ele ama sua rotina e sua disciplina, mas ainda assim se permite quebra-las quando lhe apetece. E são nesses "vez em quando" que ele encontra o que é a felicidade.

 

Por fim, se o mundo é sofrimento e as dores são constantes, o homem feliz não tenta nega-las, mas as compreende e corre até elas. Não para resolve-las todas de uma só vez, mas para contempla-las e nelas firmar sua vida, afinal, entendeu que o sofrimento é o sal da vida, e que a felicidade é como uma pitadinha de alho — quase imperceptível sim, porém essencial.

 

AUTOR: Antonio Alves

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