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Mulheres que Inspiram: Maria Bernardi Marco, a primeira parteira de Palotina”

20.05.2018

Maria Bernardi Marco nasceu em Frederico Westphalen (RS), em 15 de novembro de 1933. Da família de 12 filhos é a terceira. Muito jovem saiu de casa para estudar como interna no Colégio Coração de Jesus de Florianópolis (SC). Neste colégio teve suas primeiras experiências em enfermagem atendendo e auxiliando os médicos, nos hospitais, com parturientes. Casou-se com João Centenaro no dia 17 de abril de 1961. Chegou a Palotina em 20 de abril de 1961, e em 1972 seu esposo faleceu. 

Com essa experiência hospitalar adquirida no sul, chegou aqui no auge do plantio de hortelã, quando a população do município era o dobro da atual. O número de gestantes na época era muito grande, poucas pessoas e recursos para atendê-las, Maria passou a auxiliar nos partos atendendo nas casas das pessoas e depois em sua própria casa.  Nessa, improvisou um espaço onde abrigava a mãe e as crianças que nasciam, chegava a atender de 5 a 7 partos num único dia. Nem sempre cobrava pelos trabalhos e ainda costurava e doava as primeiras camisetas para muitas vestirem os bebês recém-nascidos, pois as mães chegavam sem nada.

Muitas mulheres não conseguiam chegar até a cidade e, para atender aos chamados, percorria picadas de jipe de caminhão que transportavam as toras, e até a pé, enfrentando chuva e muito frio. Não tinha horário. Nesse ofício atuou por mais de 30 anos.

Quando seu esposo faleceu, recebeu o convite do Dr. Adir para trabalhar como auxiliar na obstetrícia do Hospital Santa Cruz, lá permaneceu por dois anos, depois, até 1983, continuou a atender em sua casa.

Em tempos mais difíceis, em que não havia transporte aos doentes, e estes, em situações mais graves, precisavam ir a Curitiba, acompanhou inúmeras pessoas à capital, de ônibus, auxiliando-os com os trâmites de documentação.

Em 1981 casou-se com Juan Marco Sixto, com quem viveu 22 anos de feliz união. Ele faleceu em 2002.

Maria não teve oportunidade de aprofundar seus estudos. Cursou o antigo primário, mas aprendeu com a vida. Sua sabedoria vem dos muitos êxitos e também dos fracassos, estes foram os que mais lhe ensinaram. De família muito religiosa, seguidora dos preceitos da igreja, foi catequista e durante 40 anos buscou um rumo à sua fé e o encontrou no caminho catecúmeno. Em 1974 começou o caminho neo-catecumenal e desde 2010 desenvolve um trabalho de assistência às catequistas na Paróquia São Vicente Palotti.

Jamais em sua vida sentiu revolta por Deus haver colocado em sua vida duas pessoas com enfermidade grave e cuidou de ambos com muito zelo. Sempre cumpriu com seus deveres cristãos e humanos e com eles aprendeu a ter o carisma que lhe é emblemático hoje. Não se cansa de aprender e aprender, e hoje, mesmo pelas limitações impostas pela idade, ainda tem ânsia de conhecimento.

Tem muitas lembranças e histórias que enriqueceram sua vida. Só tem a agradecer e partilhar suas memórias com a geração atual. Valoriza muito a evolução e procura estar sempre atualizada, assiste a todos os telejornais possíveis, gosta de estar bem informada sobre o cenário mundial. Seu jardim é repleto de flores as quais ama cultivar. Seu hobbie é passear com seu carro, ainda que sem rumo certo, pelo simples prazer de dirigir.

Deseja muito que as mulheres se valorizem mais e acredita que, “na vida, quem tem Deus em primeiro lugar, o resto vem por acréscimo”.

 

 

 

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