ARTIGO: Santíssima Trindade: mistério de Deus, mistério do ser humano

Falar sobre a Trindade é falar sobre o rosto de um Deus que é, ao mesmo tempo, tremendo e fascinante: absolutamente insondável e absolutamente próximo, totalmente outro e totalmente ao nosso lado, separado e em relação estreita. Falar sobre a Trindade é falar sobre “mistério”. Mesmo que hoje se valorize demasiadamente o cálculo, o raciocínio e a utilidade, o mistério da Trindade não elimina o ser humano, nem mesmo o humilha. Ao contrário, A Trindade o exalta, porque permite que ele compreenda sua essência mais íntima e o autêntico valor de Deus.


Reiniciamos o Tempo Comum na Liturgia. Durante o Tempo Pascal, vivemos intensamente buscando renovar nossa fé no Cristo Ressuscitado para assumir com mais empenho nossa missão, na força do Espírito. Foi fundamental perceber em nossas vidas o plano amoroso de salvação do Pai: “Deus amou tanto o mundo, que deu o seu Filho único para salvar o mundo”. E, agora, é o Espírito Santo que nos acompanha com sua ação renovadora. Hoje celebramos a festa da Santíssima Trindade, fundamento da nossa fé cristã. Portanto, esta é a festa da unidade de Deus. Nós cremos em um só Deus que se revela em três naturezas e pessoas.


“O mistério da Santíssima Trindade é o mistério central da fé e da vida cristã. Toda a história da salvação não é senão a história da via e dos meios pelos quais Deus verdadeiro e único, Pai, Filho e Espírito Santo, revela-se, reconcilia consigo e une a si os homens que se afastam do pecado” (Catecismo da Igreja Católica, nº 234). Na liturgia experimentamos o sentido pleno de Deus Uno e Trino. A vida de fé do cristão está ligada às três pessoas divinas que vieram em nós no Batismo. Em seu nome e no diálogo com eles desenvolve-se toda a nossa vida de fé, desde o berço até o túmulo. No início de nossa existência fomos batizados “em nome do Pai, do Filho e do Espírito Santo”; no final de nossas vidas, partiremos deste mundo “em nome do Pai, do Filho e do Espírito Santo”. Cada vez que fazemos o sinal da cruz, nós declaramos nossa vontade de pertencer ao Deus Uno e Trino.


Celebrar este mistério de Deus é aceitar o convite e deixar que Deus Trindade nos conduza. Jesus nos pegará pela mão e revelará que a Trindade é só amor, comunicação, que se revela comunidade-família perfeita e quer compartilhar com a humanidade este dom. Só conheceremos Deus, à medida que Ele se revela. O que sabemos e podemos experimentar é a proximidade de Deus que caminha conosco, orienta, ama, admoesta e se faz um de nós através de Jesus, o Filho amado, e que continua a agir no dinamismo do Espírito Santo.


Para iniciar o projeto de salvação da humanidade, Deus Trindade escolhe o caminho da encarnação do Filho. Deus Pai, Filho e Espírito Santo descem juntos ao encontro da humanidade. Deus Trindade torna-se um de nós assumindo nossa fragilidade, pequenez para nos levar até Ele: “Deus não enviou seu Filho ao mundo para julgar o mundo, mas que o mundo se salve por meio dele” (Jo 3,17). Nunca conseguiremos expressar em palavras o que acontece na experiência de encontro entre Deus Uno e Trino e o ser humano. Este é um mistério profundo de Fé, onde só entramos através da contemplação e adoração, sem nunca esgotá-lo. Como Moisés diante da sarça ardente: “Não te aproximes. Tira as sandálias dos pés, porque o lugar que pisas é terreno sagrado” (Ex 3,5).


A experiência do amor e da ternura do Deus Uno e Trino nos faz mais humanos e misericordiosos com nossos irmãos. A espiritualidade, cuja fonte é a Trindade, norteou os passos de Jesus fazendo-o solidário com todos, de modo especial, os mais pobres e sofredores revelando-se o rosto do Pai. Porque o amor, o verdadeiro mistério da convivência humana, para quem tem fé, tem sentido somente em referência à relação entre o Pai, o Filho e o Espírito Santo.

Deus é amor e quem permanece no amor permanece no grande mistério de Deus, que não enviou seu Filho ao mundo para condenar o mundo, mas para que o mundo fosse salvo por ele.


A melhor maneira de crer no Deus trinitário não é querer entender racionalmente como Ele é, mas seguir os passos de Jesus que viveu como Filho querido de um Deus Pai e que, movido por seu Espírito, dedicou-se a construir um mundo mais amável para todos (Pe. José Antônio Pagola). Por isso devemos repetir sempre a saudação de São Paulo, fazendo dela uma oração: “A graça de Nosso Senhor Jesus Cristo, o amor do Pai e a comunhão do Espírito Santo estejam convosco”.

Dom João Carlos Seneme, css

Bispo de Toledo




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