Etanol: da bebida ao combustível; É possível utilizar álcool de mercado no carro?


O etanol é um dos álcoois mais comuns, encontrado em várias bebidas que tomamos. Embora as bebidas alcoólicas tenham diferentes teores de álcool e diferentes matérias primas, todas tem seu processo de fabricação iniciado a partir da fermentação alcoólica. Na fermentação, pela ação de microorganismos, ocorre uma reação química de conversão de açúcares em etanol e CO2. A partir do açúcar da uva, por exemplo, são produzidos vinhos com 10 a 14 °GL de etanol (14 mililitros de etanol a cada 100 ml de bebida, o que corresponde a 14% de etanol). No whisky, o teor de etanol chega a 47%, após a etapa de destilação. Já naquela cervejinha de fim de tarde geralmente varia de 5% a 9%.

Quando vamos abastecer o carro usamos o mesmo tipo de álcool, produzido após a quebra e fermentação dos açúcares da cana ou milho, seguido de uma etapa de destilação que gera altos teores de etanol, para uso em motores a combustão interna. No Brasil temos 3 tipos de combustíveis a base de etanol, regulados pela ANP: o Etanol Hidratado Combustível (EHC) com 94,5%, o Etanol Hidratado Combustível Premium (EHCP), com 96,3% e o Etanol Anidro Combustível (EAC) com 98%. O EAC não é comercializado nas bombas dos postos, somente adicionado na gasolina (atualmente adiciona-se 27%), este recebe um corante laranja para diferenciá-lo.

O Etanol líquido vendido nos mercados possui concentração de 46,2%, não é inflamável, é indicado para limpeza em geral. Por recomendação da ANVISA, este deve conter um agente desnaturante, que o torna impróprio para ingestão, sendo comum a utilização de pequenas quantidades de benzoato de denatônio (BITTER), a substância mais amarga conhecida. Temos também o álcool gel 65-70% de etanol, concentração mais indicada visando reduzir, em níveis seguros, a quantidade de microrganismos presentes na pele e em superfícies.

Portanto, os álcoois de mercado e bebidas não servem para abastecer os carros flex, especialmente em concentração abaixo de 70%, que além de não entrar em combustão quando puro no motor, poderá danificar os sensores dos veículos flex. Fala-se também no etanol vendido nas farmácias, com concentração entre 90 a 98%, todavia, mesmo este, apesar de funcionar, deve ser evitado quando não se sabe ao certo a quantidade de água contida. Em tempo, veículos a diesel não funcionam com etanol.

Autores: J. Firbida; T.S. Silva; G.C.G. Correa; L.A.M. Santos; R. Sequinel - UFPR, Setor Palotina.


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