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Para o próximo ano, saúde deverá investir 24% do orçamento municipal

HOSPITAL

Dando continuidade ao assunto que torneou discussões nestas últimas semanas no município, o jornal Folha de Palotina decidiu expôr com mais ênfase a questão “saúde pública” e entrevistou a secretária de saúde, Nissandra Karsten , o diretor clínico do Hospital Municipal, Alexandre Caetano, a diretora administrativa do HM, Roseli Kich Viecieli e a diretora de enfermagem do hospital, Juliene Fonseca. Juntos, eles responderam as principais dúvidas da população sobre a saúde pública e como deve se comportar os investimentos para manter a qualidade dos serviços prestados nesta área.

 

Confira a entrevista

 

FOLHA: Qual a real possibilidade do Hospital Municipal fechar as portas definitivamente?

SAÚDE: Cabe aqui uma reflexão sobre por que as portas do HM foram abertas: porque foi um pedido da população desde a I Conferência Municipal de Saúde, pois havia aí uma lacuna na saúde pública de Palotina. Vale voltar um pouco no tempo e lembrar como era o atendimento a população usuária do SUS no município antes da implantação do PA 24 Horas em 2003, hoje Hospital Municipal. A dificuldade do acesso para consultas e atendimentos ambulatoriais foi o principal motivo, tendo em vista que não temos outra unidade credenciada ao SUS nesta modalidade no município. Este foi o primeiro grande passo. Com a demanda aumentada, o serviço foi ampliado e melhorado, o que culminou com a autorização para funcionamento como unidade hospitalar em 2009. Este foi o segundo grande passo de muitos que ainda serão necessários para que possam ser atendidas todas as necessidades dos palotinenses. Mas deve-se sempre lembrar que tudo tem um custo, nada cai do céu. Então a possibilidade do HM fechar as portas é real se os anseios e necessidades da população forem maiores para outras áreas, não menos importantes do que a saúde. Quando se tem um orçamento finito, é preciso decidir onde aplicar. A exemplo de tantos outros pequenos hospitais que estão fechando as portas, aqui não vai ser diferente se não houver um comprometimento político e social efetivo com a manutenção da instituição e com os profissionais alocados na unidade.

 

FOLHA: O município é obrigado a destinar 15% do orçamento para saúde. Por que este percentual não é suficiente?

SAÚDE: Porque 15% do orçamento municipal é pensado para manter a atenção primária em saúde, ou seja, os 15% obrigatórios por lei não incluem recursos para a manutenção do Hospital Municipal. A atenção hospitalar faz parte de uma complexidade maior porque envolve atendimento de especialidades, realiza procedimentos de média complexidade que exigem um número maior de profissionais e ainda, precisa estar disponíveis nas 24 horas do dia. Além disso, é preciso lembrar de todos os serviços de apoio necessários em todos os períodos: cirurgia, ortopedia, raio-x e laboratório, serviço de enfermagem, farmacêutico, nutricionista, fisioterápico entre outros. Grande parte destes não estavam previstos inicialmente, mas tornaram-se necessários e indispensáveis a partir do momento que se conquistou a autorização hospitalar.

 

FOLHA: Qual seria o investimento ideal para manter a qualidade da saúde e quais os problemas enfrentados atualmente em função do orçamento apertado?

SAÚDE: Para manter o serviço da forma que está, algo em torno de 24% que é a previsão para o próximo ano. Atualmente e até a presente data, a administração vem honrando seus compromissos financeiros, porém não há como investir ou ampliar serviços neste percentual. Se não houver empenho da Secretaria Municipal de Planejamento e Secretaria Municipal de Finanças para garantir esses recursos ao HM até o fim do ano corrente, corre-se o risco de ocorrer uma evasão dos profissionais de saúde, bem como indisponibilidade de condições de trabalho que inclui equipamentos e medicamentos, exames diagnósticos para o setor vital e indispensável que atende a emergência hospitalar.

 

FOLHA: Nos dados referentes ao segundo trimestre de 2010, nota-se que houve um aumento considerável de retirada de medicamentos (quase 3 milhões de unidades) e procedimentos odontológicos, dobrando o número para 60 mil. Em contrapartida, reduziram os exames preventivos em 300 a menos que no mesmo período do ano passado.  Como se explica essas mudanças?

SAÚDE: O aumento na distribuição no número de medicamentos não indica uma falência no trabalho preventivo, já que com o envelhecimento da população e o número de pacientes com doenças crônicas aumentou consideravelmente. Desta forma, medicamentos para controle de hipertensão e diabettes também representam prevenção contra possíveis complicações, como infartos, AVCs, isso sem falar nos pacientes com transtornos mentais que também cresceram significativamente no último ano e que necessitam de remédios de uso contínuo. Os procedimentos odontológicos estão envolvidos os preventivos, como buchechos, escovação dental supervisionada nas escolas, aplicação de selante, entre outros. Quanto aos exames preventivos, a secretaria de saúde, tem feito intensificação nas campanhas, visando conscientizar a população e chamar sua atenção para a importância dos exames preventivos, como é o caso de mamografias, puericultura, vacinas, palestras, programas de rádio e artigos de jornal.

 

Leia a entrevista completa na edição impressa do Jornal Folha de Palotina desta sexta-feira, dia 13

 

FONTE: Folha de Palotina (Lariane Paludo e Vanildo Cardoso)

 

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