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5 de Novembro de 2004












Charge feita por Leandro Pereira





 
 

Crônica poética
por Luis Carlos Soares
19/12/2003

"Usufruto"

A imaginação, é uma dádiva dos seres humanos. É uma "válvula de escape", da qual pessoas sensíveis e imaginativas usufruem para formar uma outra realidade. Um universo paralelo!

Em Hamlet (William Shakespeare ), o herói profere uma linda e reflexiva frase sobre a imaginação reprimida das pessoas infelizes: "Ó Deus, eu poderia ser preso a uma casca de noz e, me considerar um rei de regiões imensuráveis, não fossem meus sonhos ruins". Segundo Shakespeare, graças ao intelecto, é possível visitar as regiões mais remotas do universo. Imaginar a vida como ela não é. Sonhar qualquer mundo, que não este!

Apesar das limitações físicas do homem, é possível viajar, sem sair do lugar, usando apenas o teletransporte da mente. O corpo pode estar preso a uma cadeira de rodas, ou, uma cama por exemplo, é só fechar os olhos e, deixar o pensamento voar. Ele o levará a qualquer lugar; numa longa ou breve jornada. A viajem extra-corpo, é um privilégio dos imaginosos que, minimizam suas dores e frustrações corpóreas, concebendo um mundo imaginário, paralelo ao mundo real (mesmo que por alguns instantes). A instantaneidade com que a mente humana projeta viajens, é espantosa. É a passagem através da lei de causa e efeito. A causa é a imaginação, e o efeito é a reação a sua imaginação. O acontecimento, é somente a realização daquilo que se imagina. Ilusório e contraditório, mas maravilhoso.

No contexto atual de violência, miséria e catástrofes, perpetuar o poder da imaginação, é não abortar o ideal de um mundo melhor. Com a força do pensamento positivo, unitário ou coletivo, o vislumbre de uma terra sem máculas, será insinente...

"Comumente"

Em cada cabeça um par de asas
Aladas viajens vagam na imensidão
No chão os pés sobrevoam o infinito
É mais bonito o céu sem limites

Olhos da mente ardente luz da escuridão
Visão da cegueira fogueira dos sonhos
Demônios têm faces angelicais
Tais monstros são anjos quando se sonha

Sob o azul do olhar divino voa mundo
Num segundo corta o vento externado
Iluminado em frações projeções de felicidade
Fugascidade feliz eterna enquanto sonhar

*Luis Carlos Soares é poeta e prosador e escreve para Folha.
E-mail: grafel@almix.com.br

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