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Crônica poética
por Luis Carlos Soares
19/12/2003
"Usufruto"
A imaginação, é uma dádiva dos
seres humanos. É uma "válvula de escape",
da qual pessoas sensíveis e imaginativas usufruem
para formar uma outra realidade. Um universo paralelo!
Em Hamlet (William Shakespeare
), o herói profere
uma linda e reflexiva frase sobre a imaginação
reprimida das pessoas infelizes: "Ó Deus, eu
poderia ser preso a uma casca de noz e, me considerar um
rei de regiões imensuráveis, não fossem
meus sonhos ruins". Segundo Shakespeare, graças ao
intelecto, é possível visitar as regiões
mais remotas do universo. Imaginar a vida como ela não é.
Sonhar qualquer mundo, que não este!
Apesar das limitações físicas do homem, é possível
viajar, sem sair do lugar, usando apenas o teletransporte
da mente. O corpo pode estar preso a uma cadeira de rodas,
ou, uma cama por exemplo, é só fechar os olhos
e, deixar o pensamento voar. Ele o levará a qualquer
lugar; numa longa ou breve jornada. A viajem extra-corpo, é um
privilégio dos imaginosos que, minimizam suas dores
e frustrações corpóreas, concebendo
um mundo imaginário, paralelo ao mundo real (mesmo
que por alguns instantes). A instantaneidade com que a mente
humana projeta viajens, é espantosa. É a passagem
através da lei de causa e efeito. A causa é a
imaginação, e o efeito é a reação
a sua imaginação. O acontecimento, é somente
a realização daquilo que se imagina. Ilusório
e contraditório, mas maravilhoso.
No contexto atual de violência, miséria e catástrofes,
perpetuar o poder da imaginação, é não
abortar o ideal de um mundo melhor. Com a força do
pensamento positivo, unitário ou coletivo, o vislumbre
de uma terra sem máculas, será insinente...
"Comumente"
Em cada cabeça um par
de asas
Aladas viajens vagam
na imensidão
No chão os pés
sobrevoam o infinito
É mais bonito o céu
sem limites
Olhos da mente ardente luz da
escuridão
Visão
da cegueira fogueira dos sonhos
Demônios têm
faces angelicais
Tais monstros são
anjos quando se sonha
Sob o azul do olhar divino voa mundo
Num segundo corta o
vento externado
Iluminado em frações projeções
de felicidade
Fugascidade feliz eterna enquanto sonhar
*Luis Carlos Soares é poeta
e prosador e escreve para Folha.
E-mail: grafel@almix.com.br
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