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Crônica poética
POR Luis Carlos Soares
21/11/2003
"O Amanhã Nunca Morre"
A maior e pior expressão da
angústia, pode ser a depressão. Algo que se
sente, indescritível. Uma profunda tristeza. Uma vontade
imensa de morrer, muitas vezes inexplicável. Quase
sempre consumada. Nesse caso, o meio justifica o fim...
Especialistas mostram que, pelo menos, 6% da população mundial,
esteja afetada por esse mal, disseminado entre jovens, adultos e velhos. Essa
doença, pode ser fatal, se não for diagnosticada e tratada a
tempo.
Números alarmantes mostram que, cerca de 15% dos pacientes depressivos,
se matam. E, em quase todos os casos, em algum momento da vida, as pessoas
que sofrem de depressão, já pensaram em suicídio. Esses
números aumentam na mesma proporção que, aumenta o "desejo" de
morrer, de quem padece desse mal. Para muitos, a morte é a tangente
iluminada. Violando as portas da posteridade, elas encontraram alívio
imediato, a paz de espírito, tão procurada, pressupõe-se
sua vã esperança. Quando nada dá certo, o mundo não
presta. Quando tudo fica sombrio e escuro. Quando sua auto-estima se quebra
no chão. A felicidade alheia, lhe causa inveja e, nada mais faz sentido;
a morte é a única solução. Insana resolução
dos covardes.
Que a terra não seja breve para ninguém. Que morra a fixação
doentia, de matar o amanhã, abreviando inutilmente uma vida de dor e
sofrimento. Monte a morte consentida numa concepção ilusória,
de que ela é fim de tudo...
As pessoas aprendem de modo errado. Se aprender, podem esquecer e, podem aprender
a gostar da vida. Não é morrendo que se vive!!!
"Simplifica"
Oh! morte minha certa
Incerta essa nula vida
Onde a ferida me devora
Dias vazios noites sem sono
Pedaços de mim no chão
A morte vou esquecer
Se ando vou a lugar nenhum
Parado viajo para algum lugar
A morte vou encontrar
Olho não vejo respiro não
sinto
Vivo o desejo pressinto estar
Com a morte que é meu lugar.
*Luis Carlos Soares é poeta
e prosador e escreve para Folha.
E-mail: grafel@almix.com.br
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